GranBio quer difundir cana-energia para produção de SAF no Brasil

Segundo o CEO, Bernardo Gradin, empresa estrutura modelo de biorrefinaria e conversa com clientes interessados em ocupar áreas degradadas

A GranBio, empresa especializada em biotecnologia com foco em transformação de biomassa em combustíveis sustentáveis, está elaborando e começando a negociar com investidores da área um modelo de ciclo completo para biorrefinaria com cana-energia (mais rica em celulose e 2,5 vezes mais produtiva) para produzir bioquerosene de aviação (SAF, na sigla em inglês) de forma integrada com etanol no Brasil, disse nesta quinta (17/08) o CEO da empresa, Bernardo Gradin, durante webinar da Unicamp.

Segundo Gradin, o modelo do cluster está em fase de anteprojeto e sendo discutido com clientes interessados em montar as biorrefinarias em áreas degradadas no Brasil para o cultivo da cana-energia (batizada de Vertix, desenvolvida em laboratório pela empresa). São regiões não utilizadas para a produção de alimentos, o que aumenta ainda mais a pegada ambiental do SAF em mercados externos.

“Isso cria um círculo virtuoso não só para o solo, mas para a região e para a comunidade local”, disse.

A biorrefinaria contemplaria a plantação da cana nas áreas degradadas, unidade de etanol de primeira geração e de segunda geração e do SAF, além de usina termelétrica para a cogeração.

De acordo com o CEO, com o atual desempenho da cana-energia é possível produzir por safra, em 50 mil hectares, 1 bilhão de litros entre etanol 1G e 2G e 100 milhões de galões de SAF. “Seria o SAF integrado mais barato do mundo”, afirmou.

Nova rota do SAF

Além de já ter dominado a produção do etanol de segunda geração, com tecnologia própria e já escala real em sua unidade produtiva em Alagoas, a GranBio está no caminho para tornar viável comercialmente outra rota para produção de SAF, além da rota pelo etanol 2G. Trata-se da tecnologia AVAP, que converte biomassa em açúcares, lignina, polpa de celulose e nanocelulose.

No caso do SAF, a lignina do processo AVAP, assim como o etanol 2G, é matéria-prima para produzir o combustível sustentável de aviação nas rotas fermentativas (Alcohol-to-Jet) e catalíticas.

No começo do ano, a empresa foi selecionada pelo governo dos Estados Unidos para receber subsídio de US$ 80 milhões para acelerar o desenvolvimento da tecnologia AVAP para produzir SAF. O recurso ajudará no projeto de construção de planta demonstrativa para 3 milhões de litros de SAF por ano, nos EUA, que será alimentada com chips de madeira e resíduos de cana, cujo valor total do investimento será de US$ 220 milhões.

A unidade vai produzir SAF, diesel verde e nafta verde e o plano é utilizar todos os fornecedores que serão necessários para a unidade em escala real. “Se ela funcionar nessa escala, vai funcionar em uma escala de 100 a mil vezes maior”, disse Gradin.

“Além da conversão direta do carbono de celulose em SAF, a ideia é também aproveitar o CO2 da fermentação para aumentar o rendimento da produção do SAF”, completou.


Matéria originalmente publicada no EnergiaHoje em 17 de agosto de 2023.

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