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Editorial: Menos entulho, mais investimento

Quem circula no setor de óleo e gás sabe que é consenso que muito foi feito nos últimos dois anos em termos de avanços regulatórios. Não raro ouve-se a expressão entulho regulatório para referir-se ao conjunto de medidas que travava o investimento e que todos já sabem quais foram – operação única, alta exigência no conteúdo local, etc.

Contudo, isso não significa que a vida do presidente eleito Jair Bolsonaro está tranquila com relação a esse setor da economia. Ainda há muito a avançar e a equipe que assumir em 1º de janeiro terá que arregaçar mangas para retirar o restante do entulho que ainda dificulta o investimento.

Cessão onerosa, licenciamento ambiental, uma reforma tributária que incentive o investimento e incida sobre os resultados são algumas das questões sobre as quais a nova equipe ministerial terá de se debruçar. Ainda, o papel da Petrobras, a profissionalização da empresa e avaliação de quais ativos permanecem estratégicos serão outros desafios.

Por exemplo, nessa edição trazemos um dado preocupante. A demanda por módulos de FPSOs, que poderia movimentar a indústria naval brasileira, ainda é bastante restrita. Além disso, vive-se a bizarra situação de se construir um módulo aqui e mandá-lo para a China para integrá-lo nos cascos e trazer as plataformas para cá.

Portanto, sem artificialismos, é preciso olhar com lupa uma forma de aumentar a competitividade dos estaleiros brasileiros. Se não temos vocação para conversão de cascos, como alguns pregam, que ao menos possamos aumentar nossa participação na construção e integração dos módulos.

O espaço para melhoria não para por aí. Poderíamos passar páginas e páginas listando outros exemplos de espaços para melhorias no setor, mas o fato é que a equipe do novo presidente não terá vida fácil. Até porque, seu desempenho será comparado com o de sua antecessora, que tanto fez em tão pouco tempo.

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