e-revista Brasil Energia 484

92 Brasil Energia, nº 484, 30 de novembro de 2023 transmissão | POR NELSON VALENCIO | A indústria elétrica e eletrônica brasileira fecha o ano com um faturamento de R$ 204,3 bilhões, o que corresponde a uma queda de 6% em relação a 2022. Na área de geração, transmissão e distribuição (GTD), os números são positivos, com um crescimento estimado de 5%. O segmento de transformadores, por exemplo, encerra o período dobrando suas exportações, inclusive com um forte posicionamento no mercado dos Estados Unidos. Apesar disso, Humberto Barbato, presidente da Abinee, associação que reúne os fabricantes da indústria elétrica e eletrônica, argumenta que a área de transmissão local está sendo preterida com a estrutura atual dos leilões. Segundo ele, os subsídios concedidos pelo governo chinês beneficiam os fabricantes asiáticos. Com esse cenário, a maioria dos fabricantes nacionais não está aproveitando a onda de investimentos com a expansão da transmissão. “Estamos pedindo uma mudança do modelo de qualificação para participação nos leilões junto à Aneel e mantivemos conversas com o MME”, informou Barbato. Desaceleração em GTD O desempenho positivo de GTD poderia ter sido maior, mas foi influenciado pela desaceleração das compras, no segundo semestre, do segmento de distribuição. De acordo com Marcelo Machado, diretor da área na Abinee, dois fatores puxaram a desaceleração. O primeiro deles é que os investimentos no primeiro semestre foram feitos para coincidir com o fechamento do ciclo tarifário das distribuidoras e serem reconhecidos nos ajustes de tarifa. O segundo fator é que as concessionárias estariam aguardando a definição final das regras de renovação das concessões vincendas, processo ainda em andamento e que pode influenciar o aporte de capital na infraestrutura atual. Na área de transmissão, os leilões desse ano e mais o de março de 2024 devem demandar investimentos de R$ 56 bilhões, o que explica o foco dos fabricantes internacionais na disputa. Embora esses investimentos devam movimentar a indústria nos próximos três a quatro anos, o setor ainda trabalha para atender a demanda de certames anteriores, com reflexo até 2025. Machado lembra que os fabricantes locais de transformadores de alta tensão – mercado onde o Brasil é um hub internacional – são o destaque, com parte da exportação (24%) sendo direcionada para os Estados Unidos. A demanda aquecida – interna e externa – nesse caso acontece não só pela expansão da transmissão, como pelo crescimento das novas fontes renováveis, solar e eólica. Para 2024, a Abinee sinaliza um crescimento geral de 2%, sendo que as áreas de geração, transmissão e distribuição devem crescer acima da média, com estimativa de 3%. n Abinee pede mais conteúdo nacional nos leilões de transmissão Para presidente da associação, competidores internacionais do segmento elétrico e eletrônico estariam sendo beneficiados com estrutura atual dos certames

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