e-revista Brasil Energia 484

84 Brasil Energia, nº 484, 30 de novembro de 2023 Continuação Mariana Mattos Deve-se considerar também que há uma sobreposição entre essas duas definições, pois o hidrogênio renovável pode ter emissões de carbono baixas (ou não). O hidrogênio que é produzido a partir de biomassas leva a produção também de CO2, mas considerando o consumo de CO2 pelo processo de fotossíntese durante o crescimento da planta, o processo global pode chegar a ter emissões de CO2 negativas (consome CO2 ao invés de produzir), como em alguns casos de reforma de etanol5. Porém, dependendo do cenário em que é feita a análise do ciclo de vida, as emissões de CO2 podem ser bem significativas, chegando a 9,2 kgCO2eq/kgH2 na reforma do etanol, próximo do valor obtido na reforma do gás natural, e bem acima das emissões de um processo de gaseificação de biomassa (2,6 kgCO2eq/kgH2).3 Valores tão díspares quanto 12,6 kgCO2eq/kgH2 para a reforma do glicerol e 3,8 kgCO2eq/kgH2 para a reforma do bio-óleo podem ser obtidos.6 Portanto, não há na literatura um consenso sobre as emissões de CO2 geradas em cada um dos processos de produção de hidrogênio a partir de biomassas, pois depende do tipo de biomassa usada como matéria-prima, das condições operacionais do gaseificador ou do reformador, do combustível usado no reator, e das condições do uso da terra (energia e fertilizantes) e rendimento da plantação. E mesmo o hidrogênio obtido a partir da eletrólise da água usando energia solar ou eólica também pode ter emissões de carbono, se considerar todo o ciclo de vida do produto. Nesse caso, considerando as emissões associadas à própria manufatura dos eletrolisadores e das placas solares ou turbinas eólicas, pode-se chegar a valores de 2,2-4,5 kgCO2eq/kgH2 utilizando energia solar e 0,9-1,3 kgCO2eq/kgH2 com energia eólica. 2,4 A certificação do hidrogênio de baixa emissão de carbono, também prevista no PL 2308/23, não é, portanto, tarefa fácil. O desenvolvimento do mercado de hidrogênio no país depende do estabelecimento de um sistema de certificação e rastreamento da sua produção, e o PL é o primeiro passo para isso. 1 EPE – Empresa de Pesquisa Energética. “Bases para a Consolidação da Estratégia Brasileira de Hidrogênio”. 2021. 2 B. Parkinson, P. Balcombe, J. F. Speirs, A. D. Hawkes, K. Hellgardta, Levelized cost of CO2 mitigation from hydrogen production routes, Energy Environ. Sci., 2019, 12, 19-40. doi: 10.1039/ c8ee02079e 3 Andi Mehmeti, Athanasios Angelis-Dimakis, George Arampatzis, Stephen J. McPhail, Sergio Ulgiati, Life Cycle Assessment and Water Footprint of Hydrogen Production Methods: From Conventional to Emerging Technologies, Environments 2018, 5, 24. doi:10.3390/ environments5020024 4 P. Khamhaeng, N. Laosiripojana, S. Assabumrungrat, P. Kim-Lohsoontorn, Technoeconomic analysis of hydrogen production from dehydrogenation and steam reforming of ethanol for carbon dioxide conversion to metanol, Int. J. Hydrogen Energy, 2021, 46, 30891-30902. doi: 10.1016/j.ijhydene.2021.04.048 5 J. Dufour, D.P. Serrano, J. Moreno, J.L. Gálvez, Life Cycle Assessment of Hydrogen Production Processes: Steam Reforming of Natural Gas, Ethanol and Bioethanol, 18th World Hydrogen Energy Conference (WHEC) 2010. 6 Ana Susmozas, Diego Iribarren, Javier Dufour, Assessing the Life-Cycle Performance of Hydrogen Production via Biofuel Reforming in Europe, Resources 2015, 4, 398-411. doi:10.3390/ resources4020398

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