e-revista Brasil Energia 484

Brasil Energia, nº 484, 30 de novembro de 2023 79 O Rio Grande do Norte deverá se tornar o primeiro estado do Brasil com infraestrutura disponível para estudos que enfocam o uso de recirculação química, com captura de CO2, para produção de energia limpa. Uma planta piloto para realização de experimentos na área será instalada no Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER). A Unidade de Recirculação Química (URQ) para Biomassa, como é oficialmente chamada, está em preparação na Europa, com previsão de embarque para o estado no início do próximo ano. Em novembro, teve início o plano de trabalho traçado para a transferência da tecnologia. Atividades com esse objetivo serão desenvolvidas até 31 de janeiro, na cidade de Zaragoza, na Espanha, por meio de cooperação com o Instituto de Carboquimica (ICB) – centro de pesquisa público vinculado ao Conselho Nacional de Pesquisa Espanhol (CSIC) e referência mundial em processos que envolvem o uso da recirculação química. Integrantes da equipe técnica e de pesquisa do ISI acompanharão in loco a montagem, o comissionamento e os testes iniciais com o Instituto europeu, para o envio da estrutura para o Brasil. “Estudos na área de recirculação química abrem novas perspectivas de aplicação e agregação de valor para produtos de alto potencial energético, como a biomassa, ao mesmo tempo em que apontam caminhos para redução de emissões de CO2, o mais abundante gás do efeito estufa, nos processos produtivos”, diz o diretor regional do Senai-RN e do ISI-ER. A expectativa, segundo o executivo, é “alavancar projetos na área para que soluções pensadas e desenvolvidas nos laboratórios cheguem o mais breve possível à indústria”. Tecnologia A recirculação química é uma tecnologia que permite a captura do CO2 – ou seja, a retenção do gás, em vez da liberação prejudicial à atmosfera, em processos de reforma e combustão de combustíveis fósseis. Dentro da escala TRL (do inglês Technology Readiness Levels), que vai de 1 a 9 para medir o quão prontos produtos ou processos estão em desenvolvimento para o mercado, ela se encontra no nível 6. “A expectativa é que a infraestrutura venha para complementar os equipamentos e processos já existentes no Instituto, com o objetivo de captar projetos em novas rotas tecnológicas e contribuir com a ascensão da tecnologia para níveis comerciais”, diz o pesquisador líder do Laboratório de Sustentabilidade do ISI-ER, Juan Ruiz. A perspectiva é que, com a nova planta, combustíveis sólidos passem a ser utilizados nos experimentos. “O foco será no desenvolvimento tecnológico para gerar energia com captura de CO2, através do melhor aproveitamento dos principais resíduos de biomassa do Brasil”, acrescenta o pesquisador. Recursos humanos e operação de nova planta A aquisição e implantação da Unidade de Recirculação Química para Biomassas no Rio Grande do Norte é parte de uma iniciativa que também prevê a capacitação de recursos humanos do Senai para o desenvolvimento de projetos de PD&I na área.

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