e-revista Brasil Energia 484

44 Brasil Energia, nº 484, 30 de novembro de 2023 Continuação Wagner Victer A situação atual, que busca ser superada, não nos permite ocupar espaços significativos no mercado internacional, especialmente diante da redução da oferta de cerca de 3 mil toneladas anuais pelo Níger, na África. Isso representa uma grande oportunidade, não apenas para geração de riquezas e divisas, mas também para potencializar a fábrica de combustível em Resende, no Sul Fluminense, que está em estudos para ampliação. Sem mencionar o potencial das reservas de Santa Quitéria em fornecer insumos relevantes para a indústria de fertilizantes. Do mesmo modo, considerando externalidades, surge a necessidade de abordar nossa dependência quase total de radiofármacos importados. A recente crise da covid-19 e a compreensão de que questões vitais não devem depender exclusivamente de fornecedores externos indicam a necessidade de estabelecer uma unidade de produção no Brasil – talvez no interior de São Paulo ou na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Em relação à aplicação médica, o depoimento de um dos participantes do evento mencionado foi impactante, comparando a dependência da importação de radiofármacos à “importação de gelo”, cuja eficácia diminui à medida que o tempo passa. A posição estratégica do Brasil nesse contexto é crucial para acompanhar os avanços médicos que se expandem não apenas nacionalmente, mas globalmente. O Rio de Janeiro, abrigando sedes da Eletronuclear (geração), INB (mineração), Nuclep (construção pesada), CNEN (fiscalização e tecnologia), IRD e até o Escritório Central da futura Agência Reguladora de Segurança Nuclear, além de entidades principais como Aben e Abdan e cursos de graduação e pós-graduação em Engenharia Nuclear (oferecidos pela UFRJ), se estabelece como um cluster nuclear integrado e proeminente. Não foi por acaso que a fábrica de Submarinos Nucleares (Prosub) foi localizada em Itaguaí, integrada à Nuclep. A produção dessas unidades está ocorrendo de maneira eficaz, garantindo uma demanda contínua para a Nuclep. Isso também possibilitou a expansão para outros setores relacionados à energia, como a fabricação de Torres de Transmissão, componentes para energia eólica, estacas torpedo para indústria offshore e módulos para a construção de FPSOs na indústria do petróleo. Não resta dúvida de que a tentativa de organização do setor nuclear no país, por meio de uma Frente Parlamentar no Congresso Nacional, pode dinamizar e capitalizar ainda mais as externalidades dessa área, retomando a escala observada no Brasil desde a década de 1970, quando começou o desenvolvimento de diversas atividades ligadas ao segmento. É crucial acompanhar a evolução desse tema. Todos os envolvidos com a área de energia devem estar atentos a essa movimentação, que sinaliza o delineamento de uma nova política nacional. É fundamental entender como ela será estabelecida nas previsões orçamentárias dos próximos anos, especialmente porque muitas empresas desse setor dependem do orçamento público nacional, que está com recursos limitados. Assim, a busca por parcerias estratégicas torna-se essencial para a continuidade e aceleração dessa retomada.

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