e-revista Brasil Energia 484

Brasil Energia, nº 484, 30 de novembro de 2023 25 Edmar de Almeida é professor e pesquisador do Instituto de Energia da PUC-Rio. Escreve na Brasil Energia a cada quatro meses. Edmar de Almeida O mundo e o Brasil estão vivendo um grande entusiasmo com o desenvolvimento da indústria do hidrogênio sustentável. O hidrogênio produzido a partir de fontes energéticas renováveis ou a partir de fontes fósseis associadas à captura e estocagem e uso de CO2 (CCUS) é visto como um vetor fundamental da descarbonização dos segmentos “hard to abate”, ou seja, aqueles que não podem ser descarbonizados a partir da eletrificação dos processos. Este é o caso dos setores industriais que precisam de calor em alta temperatura e indústrias como cimento, siderurgia e fertilizantes, que utilizam o gás natural como matéria prima; do transporte marítimo ou aéreo. No Brasil, já existem mais de 50 projetos de hidrogênio verde em avaliação somando cerca de 30 bilhões de dólares em investimentos potenciais. O grande foco destes projetos é a exportação de produtos produzidos com o hidrogênio de baixo carbono, tais como a amônia verde. Vários portos brasileiros estão desenvolvendo projetos para se posicionarem como hub de hidrogênio. Este é o caso dos Portos de Pecém no Ceará, Porto de Açú no Rio de Janeiro, ou Porto de Suape em Pernambuco. O entusiasmo com a exportação de hidrogênio e derivados está associado, por um lado, à grande disponibilidade e baixo custo de produção de energia elétrica renovável no país; e, por outro lado, ao interesse europeu de importação de hidrogênio sustentável. Recentemente, a Alemanha organizou um leilão internacional para aquisição de amônia verde, isto é, amônia produzida a partir de hidrogênio verde. As fontes renováveis de geração se tornaram indiscutivelmente as mais competitivas para a expansão do setor elétrico nacional e o baixo custo e alta elasticidade de oferta da geração elétrica renovável no Brasil colocam o país em condição de grande vantagem competitiva para a produção de hidrogênio verde. Por esta razão, existe a expectativa que o Brasil produza hidrogênio verde com o menor custo nivelado do mundo em 2030. Entretanto, existe uma grande distância entre esta expectativa e a realidade do mercado nacional de energia elétrica. A elevada carga fiscal, os encargos na tarifa de energia e os elevados custos de transmissão implicam numa grande distância entre o custo da geração elétrica e o preço final da energia no país. Ao mesmo tempo, a política energética na Europa e nos Estados Unidos estão implementando subsídios massivos para produção de hidrogênio sustentável. No caso americano, os subsídios podem atingir US$3 por quilo de hidrogênio. Outro aspecto a ser considerado é que ainda não está comprovada a competitividade do transporte do H2, e mesmo dos derivados de hidrogênio produzidos no Brasil, até o mercado europeu. A oportunidade de exportação de hidrogênio e produtos descarbonizados deve ser avaliada por atores públicos e privados. Não restam dúvidas que representa uma oportunidaCompetitividade do hidrogênio de baixo carbono: mercado doméstico ou exportação?

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