e-revista Brasil Energia 484

24 Brasil Energia, nº 484, 30 de novembro de 2023 hidroeletricidade tregar o H2 com eficiência técnica e econômica, precisa operar em modo contínuo. É aí que entra a energia garantida de novas hidrelétricas, necessárias para cobrir a variabilidade das fontes eólica e solar. Com as tecnologias hoje disponíveis, essa base em larga escala só pode ser a hídrica ou a térmica. Só que se a base for térmica, o hidrogênio perde o selo de verde. Além disso, para cada quilo de hidrogênio produzido são necessários nove litros de água, ou seja, segundo Torres, este será mais um papel dos reservatórios no futuro. “A produção de hidrogênio vai ter que pagar CFURH”, lembrou Alessandra, referindo-se à Contribuição Financeira pela Utilização dos Recursos Hídricos. Em relação à alternativa das eólicas offshore associadas à dessalinização da água para a produção do hidrogênio, a executiva considera que, além de ser uma alternativa cara, ainda falta um estudo mais aprofundado sobre os impactos que a proliferação dessas plantas pode trazer para a fauna marinha. Da mesma forma, Alessandra avalia que quando as baterias de lítio tiverem porte suficiente para servirem de base a grandes plantas de hidrogênio, é importante mapear os efeitos ambientais da mineração do lítio, inclusive do consumo intensivo de água que ela exigirá. “Há espaço para todos, mas as baterias deverão ser usadas em soluções menores, como em sistemas isolados à base de energia solar, por exemplo”, sugeriu. Para Torres, o quadro que se desenha para o suprimento energético em um contexto imperativo de descarbonização, na tentativa de conter a velocidade das mudanças climáticas, vai exigir da sociedade brasileira um debate para reverter a “demonização das hidrelétricas” e buscar um caminho para que elas voltem a ser construídas, com reservatórios de múltiplos usos, em harmonia com os macro objetivos socioambientais. Uma das alternativas poderia ser a construção de hidrelétricas reversíveis de ciclo fechado, de baixo impacto ambiental. Mas a presidente da Abrapch entende que os reservatórios convencionais continuarão sendo necessários, inclusive para o controle dos cada vez mais frequentes fenômenos de inundações e secas desproporcionais como atualmente ocorrem no Brasil. n ALESSANDRA TORRES, presidente da Abrapch: reservatórios também controlam inundações e secas desproporcionais

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