e-revista Brasil Energia 484

Brasil Energia, nº 484, 30 de novembro de 2023 21 Heitor Paiva atua com inteligência de mercado e pesquisa no mercado de câmbio e commodities, principalmente através de análise fundamentalista aplicada às commodities energéticas. Escreve na Brasil Energia a cada dois meses Heitor Paiva As recentes expansões empreendidas pelas grandes empresas petrolíferas dos Estados Unidos evidenciam um claro interesse contínuo no setor de combustíveis fósseis. A aquisição da Pioneer pela ExxonMobil, tornando-a a principal operadora de poços na Bacia Permiana, é um exemplo recente desta constatação. Da mesma forma, a Chevron demonstrou interesse no offshore guianês ao adquirir a totalidade da Hess Petroleum no início de outubro. Notavelmente, esse padrão de expansão não tem sido observado entre as concorrentes europeias, como a Shell, Total e BP. Esta discrepância ressalta uma clara diferença nas estratégias adotadas pelas empresas atuantes na indústria de petróleo e gás nos Estados Unidos e na Europa. As diferenças entre as estratégias das petrolíferas norte-americanas e europeias têm sido objeto de extensa documentação e estudo. De maneira geral, é possível inferir que empresas como Exxon, Chevron e ConocoPhillips encaram o processo de transição energética como uma evolução gradual. Isto lhes permite manter uma perspectiva lucrativa na produção de petróleo, especialmente se continuarem aprimorando a produtividade e, consequentemente, reduzindo os custos unitários. Tem-se, assim, a justificativa do intenso movimento de consolidação nos Estados Unidos. Por outro lado, as empresas europeias estão focadas em alcançar a independência do carbono, estabelecendo metas de geração de energia renovável mais ambiciosas do que seus homólogos do outro lado do Atlântico. A questão primordial que deve ser levantada, no entanto, é a determinação da estratégia que prevalecerá no futuro como a vencedora. Esta indagação é de natureza complexa, uma vez que sua resposta está sujeita a inúmeros cenários, sobre os quais nenhum analista possui controle absoluto. No entanto, parece evidente que a maior parte das políticas ambientais se concentra de maneira predominante no aspecto da oferta, em detrimento da demanda. Em outras palavras, a responsabilidade pela mitigação dos impactos dos combustíveis fósseis recai frequentemente sobre os produtores, enquanto os consumidores enfrentam restrições significativamente menores. Nesse contexto, um padrão se destaca: a possibilidade de um déficit de commodities fósseis, resultando em preços elevados para o petróleo e seus subprodutos, apesar dos esforços para reduzir seu consumo. Como consequência, isto poderia inadvertidamente beneficiar empresas de petróleo focadas no aumento da produtividade fóssil – que, no caso, correspondem ao grupo formado pelas petrolíferas norte-americanas. Tendências contrapostas: estratégias de expansão nas indústrias de petróleo e gás nos EUA e Europa

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