Brasil Energia | Ed. 475 - Junho, 2022

Brasil Energia , nº 475, 15 de junho de 2022 69 Com isso, os consumidores com carga inferior a 0,5 MW comprarão energia de agentes varejistas, que os representarão junto à CCEE. Os agentes varejistas ofere- cerão a seus clientes pacotes, à semelhan- ça do que acontece na telefonia. O proje- to permite a oferta de tarifas diferencia- das por horário e serviço pré-pago. A dis- tribuidora se encarregará da distribuição da energia contratada e receberá um va- lor pelo serviço, cobrado na conta de luz. Caso aprovado, o Executivo deve- rá apresentar um plano para a mudança, com orientações para os consumidores va- rejistas, como passarão a se chamar. Aliás, os 42 meses de prazo previsto no PL para a entrada em vigor das regras também servi- rão para que sejam discutidas as questões infralegais e regulatórias necessárias para que as novas regras funcionem. A proposta em análise na Câmara nasceu no Senado em 2016 – por on- de já tramitou – e é de autoria do ex- -senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB). O texto foi aprovado na forma de um substitutivo elaborado pelo senador Marcos Rogério (DEM-RO), e altera no- ve leis do setor elétrico. Virada de chave Os principais órgãos de representação do setor elétrico são unânimes em afirmar que a abertura do mercado não só é neces- sária, mas que estamos – nós, consumido- res incluídos – prontos para essa virada de chave. O objetivo maior a ser atingido se- ria o que ocorre hoje em Portugal. Lá, con- sumidores domésticos que ainda não te- nham optado pelo mercado livre terão até 31 de dezembro de 2025 para assegurar o seu fornecimento com um comercializador local. “O consumidor no Brasil está pron- to para ter liberdade para comprar energia. Aliás, a gente tem liberdade para comprar qualquer coisa – telefone, streaming, inter- net – menos energia. E isso poderia aconte- cer amanhã, não há nenhuma limitação físi- ca no setor para que isso aconteça”, afirma Rodrigo Ferreira, presidente da Abraceel, as- sociação das comercializadoras que tem a abertura do mercado como cláusula pétrea. A Abraceel encomendou em 2021 pesqui- sa ao Datafolha na qual o resultado foi que 81% dos entrevistados afirmaram querer poder ter a prerrogativa de escolher seu for- necedor de energia. Quem vai e quem fica Outro assunto que permeia o setor é a projeção do fluxo de migração quando este for possível. “Acreditamos que 95% do Grupo A (alta tensão) e 50% do Gru- po B (baixa tensão) migram para o mer- cado livre”, diz Rodrigo. Para ele, o novo serviço vai demandar intensa digitalização via sites de comparação de preços, apli- cativos, além de canais específicos e do trabalho das comercializadoras em querer atrair seus clientes. “O brasileiro é bastan- te engajado com esse tipo de coisa. Gos- ta de novidade, de tecnologia. E tem ain- da a questão da tarifa. Pagamos uma tari- fa altíssima – em termos per capita temos a terceira maior do mundo. Isso faz com que o consumidor queira migrar para al- go mais barato. Consideramos que essa

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=