Brasil Energia | Ed. 475 - Junho, 2022

48 Brasil Energia , nº 475, 15 de junho de 2022 TRANSMISSÃO que levar em conta os custos da geração e transmissão juntos,” explica Rego. Se- gundo as estimativas da EPE, o custo de transmissão para o consumidor final dos quase 10.000 km de novas linhas é de R$15/MWh, valor que, somado ao pre- ço da energia eólica e solar no Nordeste, muito mais baratas, gera um custo final de cerca de R$165/MWh para o consumi- dor. “Qualquer outra fonte beira um valor de R$300/MWh,” compara Rego. Se com esta nova metodologia o PDE coloca o Nordeste firmemente no celeiro energético do país para as próximas déca- das, é coerente expandir a capacidade de escoamento da região Norte-Nordeste pa- ra Sul dos atuais 7,5 GW para cerca de 15 GW em 2024 e 3 GW em 2028. Na avaliação de Mário Dias Miran- da, presidente executivo da Abrate, as- sociação que representa as empresas de transmissão, a EPE encontrou uma boa solução para as mudanças no setor, pois não só permite a expansão da ge- ração, como aumenta a confiabilidade da transmissão. “Estamos saindo do an- tigo paradoxo de que não há transmis- são por não haver mercado consumi- dor. Agora, o novo paradoxo se projeta na equação: tem que haver transmissão porque há oferta de geração. Estamos promovendo a plena integração elétrica nacional, aumentando a segurança no suprimento. Também deverá ser alcan- çado o grande mercado, reduzindo as exposições em sub-mercados, o que fa- vorecerá os contratos de suprimento de energia entre as usinas e seus consumi- dores”, explicou Miranda em entrevista por e-mail. Já para Martha da PSR, apesar de en- tender que o SIN tem que ter certo grau de ociosidade, existe uma preocupação com a conjuntura atual de baixíssimo consumo e atividade econômica e, por isso, é difí- cil afirmar que a proposta de R$50 bilhões de investimentos e mais de 10 mil km de novas linhas é adequada. “Um projeto no mercado livre não consegue ficar de pé sem uma previsão de consumo,” explica. Parte do grande número de projetos com DRO está calcado em uma corrida para manter a isenção da Tust. Martha ex- plica que existem outras mudanças regu- latórias e até técnicas que podem auxiliar a melhorar o escoamento. Ela citou leilão de margem de escoamento, revisão na metodologia do Tust e inclusão de outras tecnologias na rede transmissão, tais co- mo acumuladores e baterias. Mas Miranda não tem dúvida que as propostas da EPE, calcadas na nova metodologia de planejamento, estão no caminho correto. Ele citou a crise de escassez devido a falta chuvas no país no ano passado, que exigiu transporte de toda a energia possível do Nordes- te, o que resultou em um adicional de 2,8 GWmed de fluxo entre as duas re- giões. “O grande papel da transmissão é o de prover segurança e confiabilida- de no suprimento de energia elétrica, transformando-se em um legítimo “se- guro” no abastecimento de eletricida- de, e custando 5% de toda a conta do consumidor”, conclui. n

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