Brasil Energia | Ed. 475 - Junho, 2022

Brasil Energia , nº 475, 15 de junho de 2022 25 A lém das vantagens compe- titivas naturais, que creden- ciam o país a ter, segundo a EPE, potencial de geração eólica offshore de 700 GW em locais com profundidade de até 50 metros, a capaci- tação e a cadeia produtiva desenvolvidas ao longo de décadas para atender o mer- cado de óleo e gás são outras “cartas na manga” que o Brasil tem para se dar bem nessa nova fronteira energética. Estaleiros, caldeirarias, empresas es- pecializadas em instalações e operações logísticas marinhas, em levantamento de dados oceanográficos e licenciamento ambiental, há vários tipos de indústrias e empresas de serviços no país que, rapi- damente, ao começar a aparecer os pri- meiros projetos de eólicas em alto-mar, podem se iniciar no mercado de imedia- to ou após alguma adaptação ou parce- ria para entender as novas demandas. Não à toa, há empresas importan- tes desse universo já se adiantando, em conversas com possíveis parceiros, con- tratando profissionais para desenvolver as ofertas e, em alguns casos, já firman- do contratos para dispor de tecnologias que devem ser usadas nos projetos bilio- nários previstos para os próximos anos. Um exemplo ocorre com a estatal Nu- clep (Nuclebrás Equipamentos Pesados), com unidade em Itaguaí (RJ), tradicional fabricante de equipamentos pesados pa- ra óleo e gás offshore e outros setores, como nuclear, defesa e energia. A em- presa, segundo disse à Brasil Energia o diretor comercial, Nicola Mirto Neto, está em fase de estudos sobre o mercado, po- rém já em aproximações comerciais com empresas nacionais e estrangeiras. Segundo disse, já foi identificado que a empresa tem em seu parque fabril em Itaguaí diversos maquinários capazes de atender ao segmento, para produzir fun- dações e colunas para torres das eólicas offshore. Nesse caso, o destaque fica por conta de três calandras de grande porte onde podem ser fabricadas virolas para composição das estacas e colunas de até 130 mm de espessura em aços de limite de escoamento de 42 Kg/mm². Após estudo sobre o mercado eóli- co offshore, em contato com empresas da área, os profissionais da Nuclep con- cluíram que podem fabricar estacas pa- ra fixar as torres no mar e as colunas do tipo monopile, tripile, tripod e jacket das torres eólicas. E o escoamento da produção, outra vantagem, se realizaria através do seu terminal de uso privado. “Tivemos contatos com empresas na úl- tima OTC [feira de tecnologia offshore no Texas, EUA, de 2/5 a 5/5] que estão

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