Solar flutuante, com incentivos do marco de GD, atrai grandes grupos

Raízen e Elera Renováveis estão fazendo cotações para projetos em reservatórios, dizem fontes

O mercado de usinas solares flutuantes, montadas em reservatórios de água, está com alta expectativa no Brasil, principalmente por conta de dois artigos do marco de geração distribuída (lei 14.300/2022) que inicialmente foram objeto de vetos presidenciais, depois derrubados pelo Congresso.

Com a derrubada dos vetos, a lei passou a permitir que empreendedores com unidades flutuantes de captação de energia fotovoltaica dividam a central geradora, uma usina centralizada de grande porte, em porções menores enquadráveis nos limites de potência da microgeração ou minigeração.

Essa possibilidade torna o empreendimento, que tem capex até 30% mais caros do que uma UFV de solo, bastante atrativo, já que poderá negociar em GD valores de energia até três vezes maiores do que se a usina centralizada negociasse toda a sua energia no atacado, com contratos de longo prazo regulados ou no mercado livre.

Outro artigo não vetado, e também benéfico para o setor ainda incipiente, considera os projetos de minigeração distribuída como projetos de infraestrutura, o que permite às usinas solares flutuantes terem acesso ao Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi), com isenções de PIS e Cofins para aquisição de equipamentos.

Esse cenário tem atraído vários grandes players do setor de energia, que começam a fazer cotações no mercado para implantar usinas solares flutuantes por todo o País.

A Raízen, segundo fontes, está cotando com fornecedores 1,4 GW em UFVs flutuantes, que seriam implantadas em 23 lagos já com pareceres de acesso pedidos, a maioria deles em grandes hidrelétricas. Essas usinas envolveriam investimentos próximos a R$ 8 bilhões. Consultada pela reportagem, a Raízen afirmou que prefere não comentar o assunto.

Outra empresa de energia, também segundo fontes, a Elera Renováveis, tem cotado projetos que totalizam 390 MW, para implantação em quatro lagos em PCHs de sua propriedade: duas no Rio de Janeiro, uma em Minas Gerais e outra no Mato Grosso do Sul. Seria aí um total de R$ 2,3 bilhões.

Além disso, também tem consultado fornecedores da área a Itaipu Binacional, pelo lado paraguaio, com projeto de 910 MW em seu reservatório. Isso sem falar do já divulgado interesse da UHE Belo Monte em erguer flutuante em projeto de 180 MWp.

Além de ser local adequado para montar as UFVs flutuantes, os reservatórios de hidrelétricas permitem a hibridização do projeto, com uso compartilhado do sistema de transmissão, o que além de facilitar a implantação da conexão torna a tarifação também compartilhada entre as duas fontes.


Matéria publicada originalmente no EnergiaHoje em 7 de junho de 2023.

Comments are closed.

Abrir Whatsapp
Precisa de ajuda?
Olá!
Posso te ajudar?