Reino Unido aumenta subsídios para tentar ‘salvar’ eólica offshore

Depois de medidas similares da União Europeia, ação tenta reverter onda de desistências de projetos por conta do alto custo atual da fonte

Depois de a União Europeia ter publicado no fim de outubro um plano de ação para dar fôlego e subsidiar mais a implantação de parques eólicos offshore, fonte que vem sofrendo uma série de obstáculos conjunturais, com adiamento e cancelamento de projetos, agora foi a vez do Reino Unido.

No dia 16 de novembro, o governo britânico anunciou uma série de novos subsídios para tentar reverter o desinteresse crescente de vários investidores em dar curso ao planejamento de descarbonização por meio da expansão da fonte eólica no alto mar no Reino Unido, cuja meta é chegar a 50 GW até 2030.

A ação é reflexo do ocorrido nas últimas rodadas de leilões governamentais de contratação, esvaziados de propostas por conta dos preços máximos muito baixos oferecidos nos contratos, segundo a avaliação dos empreendedores, que enfrentam custos de capital e de materiais muito elevados. Vários projetos importantes do plano britânico, em razão das desistências, passaram a ficar sob risco.

Atendendo a pedidos das principais empresas da área, como a dinamarquesa Orsted e a alemã RWE, o pacote de bondades elevou em 66% o preço do MWh, passando de 44 libras (R$ 270,50, na cotação atual) para 73 libras (R$ 448). Os novos preços valerão paras rodadas de contratações previstas para 2024. Também faz parte das ações um fundo especial dedicado para os projetos offshore, sem precisar concorrer com as fontes renováveis mais baratas, sobretudo eólicas onshore ou plantas solares.

Os membros da União Europeia seguem na mesma estratégia de subsidiar os déficits atuais da fonte. O plano de ação lançada no mês passado visa, entre outros pontos, valorar os atributos da fonte nos leilões dos 27 países-membros, que da mesma forma têm sofrido com  desistências. Também faz parte do plano facilitar os processos de licenciamento dos projetos na Europa.

Cinco problemas

Segundo recém-divulgado estudo da consultoria inglesa Timera Energy, a crise que abateu o setor eólico offshore, iniciada há aproximadamente 18 meses, tem cinco principais problemas a serem enfrentados.

O primeiro é o aumento do custo de capital, provocado por taxas de juros em alta e os prêmios de risco de investimentos em elevação por conta das falhas de engenharia nas turbinas eólicas.

De acordo com a consultoria, o custo de capital mais alto influenciou o cancelamento de vários projetos na Europa, como o parque eólico de 1,4 GW de Boreas, no Reino Unido, da empreendedora Vattenfall, e em dois grandes projetos nos Estados Unidos da dinamarquesa Orsted, em Nova Jersey.

O segundo complicador é o aumento dos custos dos materiais, como aço, cobre e o frete. Essa teria sido, inclusive, a outra justificativa divulgada pela Orsted para cancelar seus projetos norte-americanos.

O terceiro problema, de certa forma, tem relação com os dois primeiros. Isso porque, em razão da pressão global por redução de custos, para tornar mais viáveis os projetos, começaram a ocorrer falhas nos componentes dos aerogeradores. Isso por conta da pressa que acabou afetando a “perfeição” dos equipamentos mais potentes para o alto mar.

Neste caso, os gargalos precursores desse cenário são da alemã Siemens, que enfrenta sérios problemas técnicos em rotores e rolamentos das turbinas, o que provocou baixa contábil de € 2,2 bilhões em agosto de 2023 e prejuízo de € 4,5 bilhões previsto para o ano, o que pode ainda se agravar, segundo observa o estudo.

Embora a consultoria aponte que a indústria está trabalhando para ofertar uma série de inovações para melhorar o desempenho dos ativos, a expectativa é que isso demore um pouco para ocorrer.

O quarto obstáculo é o atraso e o aumento de custo para implantação de sistemas de conexão e transmissão para os projetos eólicos offshore, o que tem ocorrido nos principais mercados europeus.

Por fim, o estudo aponta falhas nas políticas de incentivo dos países para a expansão da fonte eólica offshore, que necessariamente precisam de mais subsídios. Neste ponto, aliás, a Timera Energy elogia os recentes planos de ação da União Europeia e também do Reino Unido, que visam valorar os  os preços máximos de energia eólica offshore para as próximas rodadas de leilões.

 

Matéria originalmente publicada no Energia Hoje em 21 de novembro de 2023

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