Redução de Custos em Energia Elétrica: O diferencial do Engenheiro de Petróleo em maximização dos resultados

Dominar estratégias de mercado para gerar cada vez mais economia às empresas é fundamental. Para isso existe a figura do gestor de energia e, neste tipo de vaga, a formação em engenharia apresenta grande vantagem

O gasto com energia elétrica é uma das parcelas mais relevantes no orçamento de uma empresa [1]. Nos últimos anos, vimos os preços de energia das distribuidoras subirem significativamente no mercado cativo, aproximadamente, 15% mais altos quando comparados ao mercado livre, sendo esta uma tendência esperada para os próximos anos [2]. Associado a isso, em um ano de desafios e incertezas, a economia começou a dar sinais de desaceleração, resultado de um comportamento mais conservador e cauteloso nas iniciativas de investimento das empresas brasileiras. Sendo assim, toda redução de custo que puder ser alcançada está sendo muito bem vista por diversas empresas em todo o Brasil.

Poucas companhias brasileiras atentaram-se para a relevância de construir uma estratégia de consumo eficiente de energia elétrica. Além de garantir um custo competitivo, é de extrema importância observar em detalhe como e onde a energia está sendo consumida.

Uma das formas de se reduzir o consumo de energia é através de projetos de Eficiência Energética. Estes projetos, através da elaboração de estudos e relatórios, buscam reconhecer em cada local os grandes consumidores de energia, com o objetivo de identificar as oportunidades de economia. Com isso, muitas vezes, é possível alcançar ótimas reduções no custo através de soluções simples e, normalmente, contemplando somente a troca de determinados equipamentos por novos mais eficientes [3].

Contudo, neste momento conturbado, diversos investimentos estão sendo revistos e muitas vezes cancelados. Neste sentido as empresas ESCO (Energy Service Companies) [4] estão tendo um papel fundamental para viabilizar os projetos de Eficiência Energética, visto que, elas contribuem financeiramente para o negócio. Assim, a empresa beneficiada terá a economia desejada e um equipamento novo eficiente que apresentará menor incidência de manutenções corretivas e paradas não programadas. As aplicações podem ser diversas, tais como: Iluminação, Refrigeração (para conforto ou para processo), Motores Elétricos, Compressores de Ar, entre outros.

O conceito de Eficiência Energética abrange análises extremamente qualificadas, que resultam em estudos e relatórios que servem de guia para o consumo de energia de uma empresa, com foco na obtenção de economia e, em muitos casos, ganho de produtividade. Cada análise é customizada de acordo com um estudo prévio sobre a realidade da empresa e do setor no qual ela está inserida. Sendo assim, o profissional responsável por desenvolver estes projetos deverá apresentar um amplo conhecimento de conceitos da engenharia e do uso da energia, pois as oportunidades identificadas vão de simples trocas de lâmpadas até a substituição de equipamentos robustos e complexos [5].

A inteligência necessária para este tipo de diagnóstico é específica e envolve especialistas no setor de energia. Muito se fala na transição energética e diversificação da matriz, e atualmente grandes petroleiras se denominam empresas de energia. Neste cenário, o Engenheiro de Petróleo,  que se reinventar e buscar conhecimento em fontes alternativas ganhará destaque na área de Eficiência Energética, assim como, na concorrência em oportunidades de empresas ESCOs. A formação em Engenharia de Petróleo,  inserida no mercado mais expansivo que é de Energia, nos coloca em contato com diferentes aspectos que facilitam a atuação do jovem profissional em companhias ESCO.

É bem verdade que o cenário é preocupante, porém revela o quanto um trabalho adequado de Eficiência Energética pode ser positivo para as empresas, que ganham competitividade, e para a sociedade em geral que é beneficiada pela diminuição do risco de falta de energia a partir de um consumo inteligente e sustentabilidade atrelada. Conquistar este nível de sofisticação estratégica no consumo de energia depende somente da escolha de cada companhia, que pode optar por permanecer à mercê do desempenho de seus equipamentos ou pela identificação de oportunidades de economia por meio da Eficiência Energética.

Reduzir custos na parcela da energia mantendo o consumo pode ir muito além de aumentar a eficiência energética de aparelhos em um ambiente. Encontrar tarifas que sejam mais atraentes na compra de energia também pode ser uma ótima estratégia.

O mercado livre de energia aparece somando neste cenário. Neste ambiente de contratação, o consumidor pode escolher quem será seu fornecedor de energia, estabelecendo contratos bilaterais onde todas as condições são negociadas livremente, como montante de energia, preço, ferramentas, prazo de pagamento etc. [1]. Ao quebrar sua relação de fornecimento com a concessionária local e passar a negociar diretamente com geradores ou comercializadores, os preços na tarifa de energia tornam-se mais competitivos, trazendo economia ao consumidor.

Para migrar para este novo mercado, o consumidor necessita ter demanda mínima de 500 kW para consumir energia incentivada, denominados consumidores especiais, e 2000 kW para consumir energia convencional, denominados de consumidores livres. O primeiro tipo de energia citado concede desconto na parcela de distribuição, que varia de 50% a 100%. As fontes que trazem este benefício são renováveis, como a biomassa, solar, eólica e pequenas centrais hidrelétricas, sendo seu valor unitário mais elevado. Já a energia convencional, não concede direito ao desconto, porém são comercializadas em valores menores. Aqui, encontramos as usinas hidrelétricas e termelétricas [6].

Até o ano de 2019, o mercado livre contava com pouco mais de 7 mil consumidores, divididos entre livres e especiais [7], como é mostrado no gráfico abaixo:

Figura 1 – Consumidores livres e especiais no período de 2004 a 2019. Fonte: CCEE, 2020.

 

A tendência é que este número se torne cada vez maior, já que a regulação do país está em abertura, diminuindo cada vez mais a barreira de demanda mínima para consumidores livres. A partir de janeiro 2021, o requisito mínimo para compra de energia convencional será uma demanda igual ou superior a 1500 kW.

Com este crescimento, dominar estratégias de mercado para atrair cada vez mais economia para a empresa é de fundamental importância. Para isso, existe a figura do gestor de energia, profissão que vem crescendo cada dia mais no mercado de trabalho, onde são exigidos perfis comerciais combinados com pessoas lógicas.

Neste tipo de vaga, a formação em engenharia traz uma grande vantagem. Ter raciocínio lógico rápido, além de analisar problemas de forma crítica para trazer soluções é algo passado durante a graduação. Especificamente na Engenharia de Petróleo, aprender a resolver problemas complexos ajuda muito no dia-a-dia desta profissão. Trata-se de uma rotina onde maximizar ganhos econômicos para o cliente deve estar em equilíbrio com a viabilidade da operação. Este é um fato que vivemos muito durante o curso de Engenharia de Petróleo, onde soluções complexas devem envolver viabilidade econômica e não somente a operação.

Além disso, o dinamismo também está presente. Para alguém que, como o Engenheiro de Petróleo, aprende que as coisas acontecem de maneira muito rápida e os riscos devem ser mediados diante a maioria das situações em que passam, ser um gestor de energia no mercado livre pode se tornar algo mais fácil.

Sobretudo, o mercado livre conta com o conhecimento sobre todos os tipos de energia e é de fundamental importância para um petroleiro saber seguir caminhos inovadores e expandir seu conhecimento sobre outras fontes energéticas.

Vale finalizar com o reforço de que, cada vez mais, o mundo caminha para uma transição energética, passando de um consumo majoritário  de fontes fósseis, como o Óleo e Gás, para fontes renováveis e  com o menor impacto ambiental [8]. Unir sustentabilidade com economia financeira é algo que agrada e diferencia os profissionais atuais. Portanto, saber absorver conhecimento passado durante a formação na faculdade para análises em eficiência energética ou mercado livre de energia pode ser uma grande oportunidade de desenvolvimento para um Engenheiro de Petróleo recém formado..


Fontes:

[1] Mercado Livre de Energia Elétrica. Disponível em: www.mercadolivredeenergia.com.br

[2] Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco). Disponível em: http://www.abesco.com.br/pt/category/noticias/page/5

[3] Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco). Disponível em: http://www.abesco.com.br/novidade/eficiencia-energetica-para-a-retomada-do-crescimento-economico/

[4] Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco). Disponível em: http://www.abesco.com.br/pt/o-que-e-uma-empresa-esco/

[5] Ecoa Energias Renováveis. Disponível em: https://www.ecoaenergias.com.br/

[6] MegaWhat Energy. Tipos de Energia. Disponível em: https://megawhat.energy/verbetes/29776/tipos-de-energia

[7] Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE)

[8] Empresa de Pesquisa Energética (EPE)


Gabriela Bosco é formada em Ciência e Tecnologia do Mar e Engenharia de Petróleo, ambos pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Foi presidente do capítulo estudantil da SPE Unifesp nos anos de 2018/2019 e atualmente trabalha na área de energia, desenvolvendo projetos de eficiência energética.

Bruna Chain é formada em Ciência e Tecnologia do Mar e Engenharia de Petróleo, ambos pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Foi membro do time do Petrobowl da Unifesp no ano de 2018 e atualmente trabalha na área de energia, fazendo a gestão de consumidores livres.

João Pedro Patekoski Gomes é Engenheiro de Petróleo e Recursos Renováveis pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Atua como Supervisor Comercial na Duracell Brasil, onde iniciou sua carreira como estagiário em 2018. Durante a graduação, foi membro ativo do Capítulo Estudantil SPE Unifesp, atuando como presidente na gestão 2017/2018.

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