Opinião

Qual a maturidade digital de sua organização?

Empresas precisam realizar um diagnóstico sobre o seu próprio índice de maturidade digital. Isso significa identificar a capacidade de integração dos sistemas legados, nível de obsolescência das tecnologias existentes e se os dados já estão nas nuvens, entre outros fatores

Por Victor Venâncio

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O imperativo da transformação digital se faz presente para organizações dos mais distintos segmentos de mercado, e não seria diferente naquelas de base industrial, como as do setor de energia.

Diversas empresas estão agindo, criando departamentos de transformação digital, contratando executivos experientes com a requerida visão holística sobre o tema, investindo em iniciativas de tecnologias, processos e cultura que aceleram a competitividade no back (indústria), middle (corporativo) e no front (comercial) offices.

Mas, como todo bom planejamento estratégico, para se saber onde a empresa quer chegar precisamos analisar o contexto atual, quais são os recursos e competências disponíveis na firma, e como executar as iniciativas que a conduzirão aos objetivos traçados.

A cadeia de valor na qual a empresa está inserida pode ajudar a potencializar os resultados de sua jornada de transformação digital, ou retardar a obtenção deste valor. Desta forma, saber o índice de maturidade digital da cadeia de valor e da própria organização, é importante para a definição da estratégia de transformação digital.

O MIT realizou uma pesquisa sobre o índice de maturidade digital de diversos segmentos de mercado, publicada no livro The Technology Fallacy, segundo a qual as empresas atuantes em setores mais próximos dos consumidores finais (B2C) possuem um índice de maturidade digital mais elevado do que os setores que atuam em indústrias extrativistas, de processos de transformação ou de manufatura (B2B).

Empresas atuantes no setor de mídia, entretenimento e telecomunicações, portanto, majoritariamente B2C, apresentaram elevados índices de maturidade digital; já os setores de construção, óleo e gás e de manufatura, essencialmente B2B, figuraram entre os menores índices.

Recentemente, o IBP, a Abespetro, ANP e a Deloitte apresentaram uma pesquisa sobre o índice de maturidade digital no setor de óleo e gás, e o resultado demonstrou que ainda há um longo percurso na jornada de transformação digital. Quase todos (98%) concordam que a transformação digital tem potencial de impactar positivamente as operações das empresas, porém somente 3% das empresas se reconhecem como uma organização verdadeiramente digital.

Isso não significa que não haja tecnologia de ponta no setor de óleo e gás, muito pelo contrário. Indiscutivelmente, há muita tecnologia na fase de sísmica, de exploração, desenvolvimento, produção, transporte, refino, distribuição e varejo, mas, na maioria das empresas, não há uma orquestração que envolva os três pilares fundamentais da transformação digital (tecnologia, processos e cultura), sendo executado nas três dimensões organizacionais da empresa (back, middle e front offices).

Analisando diversos segmentos de mercado e olhando mais especificamente para o setor de óleo e gás, observamos que o índice de maturidade digital ainda é baixo comparado a outros setores, o que representa uma enorme oportunidade para geração de valor e de vantagens competitivas sustentáveis para as organizações que saírem na frente.

Com a análise do setor já conhecida, as empresas precisam realizar um diagnóstico sobre o seu próprio índice de maturidade digital. Isso significa identificar, por exemplo, a capacidade de integração dos sistemas legados, o nível de obsolescência das tecnologias existentes, se os dados já estão nas nuvens, se os processos estão otimizados e se a cultura da empresa está preparada para a jornada de transformação digital em toda empresa. Assim, as estratégias poderão ser construídas de forma apropriada e serem executadas com maior probabilidade de êxito.

A transformação digital gera valores tangíveis e intangíveis para as empresas e sociedade. E como a sua empresa está neste cenário? Qual o índice de maturidade digital de sua organização?

Victor Venâncio é Head de Transformação Digital LatAm da IHM Stefanini, membro emérito do IBP, diretor da ISA e professor convidado de transformação digital e estratégia do MIT, UC Berkeley e Cambridge by Emeritus

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