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Mergulhando em alto-mar

Aumento da frota de sondas e plataformas aquecerá demanda por operações de inspeção, manutenção e reparo

O desenvolvimento do offshore brasileiro provocará um forte impacto na cadeia de fornecimento da indústria de óleo e gás no país. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado do Rio de Janeiro, serão demandadas, por exemplo, 270 novas embarcações de apoio marítimo até 2030 para apoiar uma frota projetada de 35 sondas e 50 FPSOs. Entre elas estarão barcos de apoio a operações de mergulho, essenciais para manter o patrimônio das operadoras em dia. 

“A demanda por inspeções e processos de avaliação intermediários vai aumentar, refletindo o crescimento das unidades de E&P”, prevê o CEO da Sistac, Felipe Gutterres, destacando que a empresa possui um banco de dados sobre a infraestrutura offshore do país que pode ajudar na prevenção de incidentes. 

Atualmente, a companhia brasileira opera ou presta serviços em sete embarcações: os SDSVs – de apoio a mergulho raso –  Pardela, Mandrião, Ostreiro e Fulmar, em parceria com a Wilson Sons Ultratug (WSUT), os Sistac Vitória e Esperança e o DSV – de mergulho saturado, em profundidades de até 300 m – Skandi Achiever, com a norueguesa DOF. 

O Sistac Vitória é um dos SDSVs da empresa brasileira a serviço da Petrobras/ Divulgação

A tendência de substituição do homem pela máquina visando ganhos de eficiência e à redução de riscos e falha humana não assusta Gutterres. Para ele, a figura do mergulhador seguirá necessária, trabalhando em conjunto com tecnologias e ferramentas mais avançadas, conforme o conceito de “diver within”. 

“O que observamos na história dessa discussão, começando pelo Mar do Norte – onde, até por uma questão de legislação, a substituição de humanos foi estimulada – é que não houve, como se esperava, uma substituição integral dessa atividade”, assinala.

Mas isso não significa que é possível se acomodar, sobretudo em um mercado tão competitivo como o de óleo e gás. Por isso, há dois anos a Sistac decidiu fechar uma parceria com a Fábrica de Start-ups, no Rio de Janeiro, onde uma das empresas nascentes desenvolveu sensores que indicam se os trabalhadores offshore estão em uma situação insegura. A tecnologia está em fase de testes na base operacional logística da Sistac em Tanguá (RJ). 

Outro projeto em curso envolve a utilização de óculos digitais – uma espécie de “Google glass” – por profissionais no auxílio de suas atividades, viabilizando o acesso imediato a manuais de manutenção e procedimentos. A solução já é utilizada pela norueguesa Equinor no campo de Peregrino, na Bacia de Campos. 

Para Guterres, a chegada de investidores em campos maduros no Brasil deve acelerar as atividades de inspeção, manutenção e reparo (IMR) no país. “Essas empresas têm uma perna operacional importante, mas outra cabeça financeira, com uma visão de risco diferente de uma petroleira”, explica.

Apesar da baixa nas atividades no Brasil, nos últimos 18 meses a Sistac fechou 12 novos contratos, triplicando seu backlog e o número de funcionários, que, hoje, totalizam 1,4 mil pessoas. 

Outro player que está bem posicionado no mercado brasileiro é a Belov Engenharia. Além de operar dois SDSVs no país, a companhia constrói duas novas embarcações do tipo, contratadas por três anos pela Petrobras, com possibilidade de renovação por mais dois anos. As obras são feitas em seu estaleiro no município de Simões Filho, na Bahia, o Belovoil, e o início de operação dos barcos está previsto para janeiro de 2020. 

O diretor de Operações da empresa, André Weber Carneiro, admite que, devido a acidentes ocorridos nos últimos anos, há uma tendência de otimizar o mergulho offshore a fim de reduzir a exposição de mergulhadores no caso de tarefas simples, como limpeza. No entanto, esses profissionais serão necessários para atuar em locais mais restritos e realizar inspeções finais. 

“Então, apesar da questão da otimização, temos ainda um aumento de demanda efetiva para contrabalançar”, diz o executivo, ressaltando que a Belov vem investindo em tecnologias e soluções submarinas e também em outras áreas do mercado offshore. 

Mergulhador da Belov em atividade: empresa tem 1,3 mil funcionários/ Divulgação

Além da Petrobras, a empresa presta serviços a operadores como a Shell, Equinor, PetroRio e Chevron. “De uma forma geral, há consideravelmente menos burocracia, e as auditorias são muito mais focadas no resultado final do que no caso da Petrobras. Muitos trabalham com padrões tipo IMCA [International Marine Contractors Association], que ainda estão embrionários na petroleira brasileira”, observa Carneiro.

Hoje, a Belov tem cerca de 1,3 mil funcionários no Brasil, atuando em seu estaleiro, escritórios em Macaé e Madre de Deus (BA), na base de operações em Guapimirim-RJ e em sua sede em Salvador (BA).

Licitações 

No último dia 23, a Petrobras recebeu as propostas para o afretamento de um DSV. A Sistac e a DOF ofertaram dois barcos, e a Otto Candies, um, no primeiro leilão reverso para contratação desse modelo de embarcação. Até o fechamento da matéria, a classificação das ofertas não fora divulgada pela estatal. 

No mercado, há expectativa de que a Petrobras lance uma nova licitação para contratar SDSV ainda este ano.

Atualmente, a companhia possui afretados os DSVs Skandi Achiever, da Norskan (DOF), e Wyatt Candies, da Otto Candies, e os SDSVs Asso 27,  da Assomarítima; Cidade Ouro Preto, da Belov; Oceânica Sub IV e Oceânica Sub V, da Oceânica; Santos Scout e Santos Solution, da Bram Offshore; Seacor Grant, da Oceanpact; 

 

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