Hidrogênio verde vai exigir mais hidrelétricas

“A energia intermitente usada para acionar os eletrolisadores e fazem o hidrogênio precisa de uma energia πa base”, diz Alessandra Torres, presidente da Abrapch

A produção de hidrogênio verde no Brasil para suprir a demanda doméstica e internacional, um dos principais objetivos da transição para uma matriz energética limpa no país e no mundo, vai exigir a construção de mais hidrelétricas com reservatórios. Esta foi uma das principais conclusões do seminário realizado ontem na sede de Itaipu (Foz do Iguaçu-PR) para discutir Inovação Tecnológica e Sustentabilidade Socioeconômica e Ambiental das Hidrelétricas.

“O movimento do hidrogênio verde vai trazer obrigatoriedade de mais  hidrelétricas no Brasil porque a energia intermitente [eólica e solar] usada para acionar os eletrolisadores e fazem o hidrogênio precisa de uma energia πa base e essa energia só vai poder ser hidrelétrica”, disse Alessandra Torres, presidente da Abrapch, ao EnergiaHoje.

A argumentação dos defensores das hidrelétricas é simples: os eletrolisadores que separam o hidrogênio do oxigênio contidos na fórmula da água precisam funcionar de forma contínua para entregarem o produto com eficiência técnica e econômica, ou seja, é necessário uma energia de base para cobrir a variabilidade das fontes eólica e solar.

Com as tecnologias hoje disponíveis, essa base em larga escala só pode ser a hídrica ou a térmica. Só que se a base for térmica, o hidrogênio perde o selo de verde. Além disso, para cada quilo de hidrogênio produzido são necessários nove litros de água, ou seja, segundo Torres, este será mais um papel dos reservatórios no futuro. “A produção de hidrogênio vai ter que pagar CFURH”, disse Alessandra, referindo-se à Contribuição Financeira pela Utilização dos Recursos Hídricos.

Em relação à alternativa das eólicas offshore associadas à dessalinização da água para a produção do hidrogênio, a executiva argumentou que, além de ser uma alternativa cara, ainda falta um estudo mais aprofundado sobre os impactos que a proliferação dessas plantas pode trazer para a fauna marinha.

Da mesma forma, Alessandra avalia que quando as baterias de lítio tiverem porte suficiente para servirem de base a grandes plantas de hidrogênio, é importante mapear os efeitos ambientais da mineração desse lítio, inclusive do consumo intensivo de água que ela exigirá. “Há espaço para todos, mas as baterias deverão ser usadas em soluções menores, como em sistemas isolados à base de energia solar, por exemplo”, sugeriu.

Para a executiva, o quadro que se desenha para o suprimento energético em um contexto imperativo de descarbonização, na tentativa de conter a velocidade das mudanças climáticas, vai exigir da sociedade brasileira um debate para reverter a “demonização das hidrelétricas” e buscar um caminho para que elas voltem a ser construídas, com reservatórios de múltiplos usos, em harmonia com os macro objetivos socioambientais.

Uma das alternativas poderia ser a construção de hidrelétricas reversíveis de ciclo fechado, de baixo impacto ambiental. Mas a presidente da Abrapch entende que os reservatórios convencionais continuarão sendo necessários, inclusive para o controle dos cada vez mais frequentes fenômenos de cheias desproporcionais, como as que ocorrem atualmente na região Sul do Brasil.

 

Matéria originalmente publicada no Energia Hoje em 10 de novembro de 2023

Comments are closed.

Abrir Whatsapp
Precisa de ajuda?
Olá!
Posso te ajudar?