Engenharia de Petróleo: uma formação que vai além do poço

Conhecimentos advindos de matérias como engenharia de reservatórios, termofluidodinâmica, geologia e geofísica são áreas complementares para quem deseja se reinventar

Muito se comenta sobre a atuação de Engenheiros de Petróleo no setor de upstream: desenvolvimento de softwares para engenharia de reservatórios, implementação de tecnologias para auxiliar na perfuração de poços, estudos para garantia de escoamento, desenvolvimento de equipamentos para facilitar a produção de óleo e gás, aprimoramento de processos e produtos de forma a garantir a maior eficiência do processo de explotação; no entanto, poucos têm conhecimento da amplitude dos campos de atuação desse engenheiro.

Antes de falarmos sobre oportunidades de carreira, precisamos ressaltar que os engenheiros são encorajados ao longo dos anos de graduação a resolver problemas e encontrar soluções para os mais diversos desafios. Essa base nos permite atuar nos mais diversos segmentos e, para nós, Engenheiros de Petróleo, não é diferente. Queda do preço do barril de petróleo, excedente de oferta no mercado, poucas contratações, especialmente no que tange a parcela de recém-formados, são alguns dos desafios do atual cenário das áreas técnicas de exploração e produção (E&P) de petróleo no Brasil. Apesar de estar inserido neste meio, o formando em Engenharia de Petróleo  pode se reinventar, conquistando novas posições e atuando nas mais diversas áreas e setores.

Os conhecimentos advindos de matérias como engenharia de reservatórios, termofluidodinâmica, engenharia de perfuração, geologia e geofísica são fontes complementares para quem deseja se reinventar, mas ainda sem abrir mão do setor de óleo e gás. Com uma base sólida, os engenheiros podem atuar com desenvolvimento de equipamentos e softwares, por exemplo. A mesma base se mostra importante quando o engenheiro decide atuar em setores como o de PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação) e Inteligência de Obras. Setores como estes exigem que o profissional tenha, além de conhecimento técnico, grande capacidade analítica e de observação, curiosidade, criatividade e organização.

O conhecimento técnico, associado à capacidade analítica e alto grau de observação propicia ao profissional a resolução de problemas de maneira mais legitimada e eficaz. Inferências de hipóteses e soluções apresentarão maior grau de exatidão à medida que ocorra a combinação entre conhecimento técnico e observação com análise crítica e analítica do desafio a ser superado.

A curiosidade, por sua vez, ajuda na descoberta de novas soluções e criação de propostas para problemas mapeados e, por vezes, permite a previsão de futuros desafios. Isto porque, a curiosidade leva a questionar a situação atual, levantando as possibilidades para melhorias e, assim, permite abertura para novas experiências.

Outro fator importante é a criatividade, a qual também propicia a elaboração de novas técnicas, metodologias e produtos. Esta é umas das competências que torna o profissional mais independente, autônomo, capaz de identificar oportunidades de mudança com um “simples” observar da situação em que se encontra e, assim, reagir a este cenário de forma dinâmica. A curiosidade e a criatividade são duas características, que quando associadas, permitem que a empresa evolua e desenvolva seu caráter inovador, gerando produtos, soluções e serviços que tornem o mercado mais competitivo.

No que se diz respeito à organização, pensamentos racionalizados e ordenados resultam em atuações estruturadas e metodológicas. É a organização que torna o gerenciamento de tempo uma ferramenta importante para o aumento da produtividade e da qualidade das entregas no trabalho.

Todas essas competências quando desenvolvidas, aprimoradas e associadas às capacidades técnicas do profissional de engenharia, permitem a realização de atividades na área de PD&I. Conhecimentos técnicos básicos como cálculo, física, economia, termodinâmica, mecânica dos fluidos, resistência dos materiais e programação possibilitam a melhor avaliação e elaboração de propostas de projetos, além de uma análise mais assertiva e eficiente dos planos de trabalho. Quando em fase de prospecção de projetos, a curiosidade, a criatividade e o conhecimento técnico trabalham juntos de forma que uma solução ou metodologia para detecção da melhor solução seja determinada. Na fase de elaboração de plano de trabalho, o conhecimento técnico auxilia na determinação do escopo, cronograma, testes, requisitos técnicos, fontes para consulta, visão geral da solução desejada. Por sua vez, na etapa de acompanhamento do projeto e consequente conclusão, o profissional de PD&I é responsável pelo detalhamento das atividades, decisões sobre possíveis mudanças de rota, proposições de novos caminhos a serem percorridos em caso de dificuldades. Tudo isso se torna exequível quando o profissional tem embasamento técnico sólido e robusto, além de capacidade para adaptar soluções já vividas em ambientes e situações diferentes.

As mesmas competências, anteriormente citadas para profissionais da área de PD&I, são características importantes para profissionais que desejam atuar em áreas como a de Inteligência de Obras e Prevenção de Danos. Neste caso, os Engenheiros de Petróleo são requisitados não só por sua capacidade analítica e alto grau de organização, mas também por sua visão estratégica, sensibilidade e conhecimento para analisar dados e tomar decisões, raciocínio lógico, amplitude de experiência e alta capacidade de compreensão e interpretação de problemas complexos.

Trabalhando com obras, muitas vezes os engenheiros se deparam com situações em que precisam decidir a melhor forma de agir e, sua formação contribui para a tomada de decisão. Levantamento e análise de dados, apontamento de cenários variados, conhecimento técnico, capacidade de avaliação crítica, são algumas das características que se destacam quando o profissional de engenharia inicia nesta área. As combinações dessas habilidades propiciam maior agilidade e assertividade nas tomadas de decisão, melhor planejamento das atividades de forma a assegurar segurança e qualidade nas entregas, maior eficiência no desenvolvimento de projetos e soluções.

Apesar da situação atual do mercado de O&G não estar favorável para o setor de upstream, existem muitas outras formas e áreas  para que o Engenheiro de Petróleo atue. O conhecimento adquirido ao longo do curso e as habilidades que foram desenvolvidas junto a ele são responsáveis pela formação de um profissional capacitado, com alto grau de adaptação, hábil e com alta competência analítica, o que o torna um grande recurso para o mercado. Afinal, um engenheiro é treinado por anos para ser um solucionador de problemas das mais diversas conjunturas, e é isso que gabarita os formandos em Engenharia de Petróleo à brigar de igual para igual por vagas em outras indústrias.

 


 

Natália Gil é Mestre em Ciências e Engenharia de Petróleo pela UNICAMP, formada em Engenharia Mecânica com ênfase em Petróleo pela mesma Universidade. Primeira mulher a assumir a presidência do Capítulo Estudantil SPE UNICAMP, gestão agraciada com o Oustanding Student Chapter Award. Trabalhou como engenheira de petróleo na SOLPE, desenvolvendo software para análise de imagens de rochas. Desde 2019 trabalha na Comgás, onde iniciou como engenheira de Inovação e P&D trabalhando na prospecção de projetos. Atualmente é engenheira na área de Monitoramento e Inteligência de Obras e atua com frentes de open innovation, funding e estruturação.

 

João Pedro Patekoski Gomes é Engenheiro de Petróleo e Recursos Renováveis pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Atua como Supervisor Comercial na Duracell Brasil, onde iniciou sua carreira como estagiário em 2018. Durante a graduação, foi membro ativo do Capítulo Estudantil SPE Unifesp, atuando como presidente na gestão 2017/2018.

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