É preciso ter uma certa urgência na decisão acerca da realização do AAAS para a Bacia da Foz do Amazonas, segundo analista da Wood Mackenzie

O PetróleoHoje conversou com Glauce Santos, Senior Research Analyst da Wood, para debater dois possíveis cenários: a realização do AAAS, que pode adiar as atividades na bacia por dois anos, e a impossibilidade de exploração na Bacia da Foz do Amazonas

A decisão acerca da realização da Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS) para a autorização do licenciamento ambiental na Bacia da Foz do Amazonas precisa ter uma certa urgência, tendo em vista a necessidade de reposição de reservas em função do declínio da produção nacional a partir de 2030, afirmou Glauce Santos, Senior Research Analyst da Wood Mackenzie, ao PetróleoHoje.

“Se for necessário fazer o estudo, que o mesmo seja iniciado prontamente, dado ao timing relacionado a cadeia de exploração de hidrocarbonetos. Não dá para esperarmos mais cinco anos para saber o que vai acontecer com essas áreas, visto que elas foram colocadas pela primeira vez em oferta há mais de 10 anos. O governo, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Ibama e as autoridades precisam deixar claro qual é a política relacionada às áreas de maior sensibilidade ambiental do país. As empresas estão procurando novas reservas que sejam viáveis, e isso está relacionado a quanto tempo o operador vai levar para perfurar o primeiro poço, por exemplo”, explicou Santos à reportagem.

O AAAS (cuja responsabilidade pelo desenvolvimento é compartilhada entre os ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente) foi exigido pelo Ibama no âmbito do processo de licenciamento ambiental da Petrobras para perfuração do poço Morpho, no bloco FZA-M-59, localizado na Bacia da Foz do Amazonas. O órgão negou o pedido da estatal no dia 17 de maio deste ano, fazendo com que a companhia entrasse com um pedido de reconsideração no dia 25 do mesmo mês.

O estudo leva cerca de dois anos para ser concluído, uma vez que o documento não analisa somente a área do bloco em si, e sim a bacia sedimentar como um todo. Ou seja, durante esse período, caso o AAAS seja realizado, as atividades de exploração na Bacia da Foz do Amazonas ficarão paradas, podendo impactar, também, a Bacia de Barreirinhas, que é próxima da Bacia da Foz e que também possui uma sensibilidade ambiental maior.

Santos explica que nem todas as bacias da Margem Equatorial Brasileira (MEQ) terão as suas atividades exploratórias prejudicadas com o adiamento proporcionado pela possível execução do AAAS. “Potiguar e Ceará, que também fazem parte da MEQ, não seriam tão impactadas justamente porque a sensibilidade ambiental não é tão grande quando comparada às bacias de Foz do Amazonas e Barreirinhas”, completou a analista.

Ela avalia que é provável que as empresas que estão em Foz do Amazonas e Barreirinhas optem, caso seja decidido pela realização do AAAS, por transferir seus investimentos para plays exploratórios análogos. “É um cenário bem pessimista, mas possível. As empresas podem pegar o capex que seria investido na região e ir para áreas com formações geológicas semelhantes e de nova fronteira, como é o caso da Guiana, Suriname e do oeste da África”, afirmou.

Glauce Santos, Senior Research Analyst da Wood Mackenzie (Foto: acervo pessoal)

Caso seja decidido pela negação de qualquer atividade exploratória na Bacia da Foz do Amazonas, o cenário fica mais complicado, uma vez que essa bacia é a que mais possui potencial de grandes descobertas na MEQ. “A ausência de descobertas comerciais no offshore brasileiro nos últimos anos, com exceção de Aram (na Bacia de Santos) e de Alto de Cabo Frio Central (Bacia de Campos), torna a atividade exploratória nas bacias de fronteira da MEQ necessária para evitar um cenário sombrio na exploração de petróleo em águas profundas no país”, explicou Santos.

Em Sergipe-Alagoas, por exemplo, o poço exploratório perfurado pela ExxonMobil resultou seco. No Espírito Santo, dos sete poços perfurados desde 2002, nenhum registrou descoberta comercial. E, no sul da Bacia de Santos, os blocos foram adquiridos há pouco tempo, estando as empresas ainda numa fase muito inicial de exploração, executando campanhas sísmicas.

Por fim, a analista afirma que ter novas descobertas comerciais, principalmente na MEQ, é um meio de repor reservas de modo que a queda da produção nacional prevista a partir de 2030 seja minimamente adiada. “O declínio não deixa de acontecer com os recursos oriundos de novas descobertas, mas ele poderá ser adiado”, finalizou a executiva.

 


Matéria publicada originalmente no PetróleoHoje em 3 de julho de 2023.

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