Diversidade e inclusão, condicionantes essenciais para a transição energética

Uma das melhores maneiras para as organizações aumentarem a capacidade de transformação envolve a contratação de mais mulheres e equipes culturalmente diversas

Construir o mundo pós-covid exigirá de todos nós visão, coragem, inovação, diversidade e senso de urgência para enfrentar mudanças de magnitude sem precedentes. As incertezas do caminho exigirão esforço coletivo consciente, solidário e inclusivo, de forma a garantir um futuro sustentável para indivíduos, comunidades e organizações.

Sabendo que este novo mundo não surgirá acidentalmente, o World Petroleum Council (WPC) e o Boston Consulting Group (BCG) publicaram em dezembro do ano passado uma pesquisa que destaca a relevância de se criar as condições para atrair e reter novos talentos, incentivar a diversidade e a busca da equidade de gênero em nossa indústria, já que as mulheres representam apenas 22% de sua força de trabalho (resultado igual, aliás, ao de 2017) em um setor reconhecidamente conservador.

Tal pesquisa, que considerou o universo de 50 empresas com receitas globais de US$ 2 trilhões, entrevistando mais de 50 executivos seniores e 2.800 profissionais do setor em 60 países, menciona as conclusões de um estudo da Catalyst, uma organização sem fins lucrativos, mostrando que empresas com mais mulheres em seus conselhos de administração superaram as com menos, em três métricas financeiras: retorno sobre o patrimônio (53% maior); retorno sobre as vendas (42% maior) e retorno sobre o capital investido (66% maior).

Um outro estudo, publicado pela consultora McKinsey, mostrou também que as empresas com desempenho no quartil superior em diversidade étnica e racial tiveram retornos financeiros 35% maiores, e aquelas com diversidade de gênero no quartil superior tiveram 15% mais chances de ter retornos acima da média do setor.

Para se manterem competitivas, as organizações devem sempre inovar, e uma das melhores maneiras de aumentar a capacidade de transformarem a si mesmas e seus produtos pode envolver a contratação de mais mulheres e equipes culturalmente diversas.

Na América Latina e no Caribe, de acordo com dados da Arpel, petróleo e gás representam 70% da matriz energética regional, sendo um setor-chave em muitas economias das duas regiões, tanto em termos de PIB quanto de fluxos de investimentos, geração de empregos, exportações, receitas fiscais e desenvolvimento local.

Assim, os desafios colocados pelas mudanças climáticas e a transição para sistemas energéticos e economias de baixo carbono implicarão mudanças profundas, para as quais serão necessários todos os talentos disponíveis, especialmente os que possam aportar a sensibilidade necessária ao desenvolvimento de ações de cooperação, estabelecendo as condições para situações de “ganha-ganha”, para a exploração dos recursos finitos de nossa região e de nosso planeta. Boa parte desta sensibilidade já sabemos de onde pode vir.

No Roteiro para Impulsionar a Contribuição da Indústria de Petróleo e Gás para os ODS, as empresas sócias da Arpel priorizaram sete ODS para o biênio 2021-22 (5, 7, 8, 9, 12, 13, 17), para os quais existe maior possibilidade de geração de impactos positivos, dentro de uma perspectiva de direitos humanos, transições justas e a materialidade da indústria.

O principal objetivo deste Roteiro é estabelecer um conjunto de ações para promover a colaboração e contribuição para os ODS das empresas de petróleo e gás da América Latina e Caribe. Para o ODS #5 (Igualdade de Gênero), por exemplo, o objetivo é promover maior participação feminina, principalmente em posições de liderança e funções operacionais, bem como a diversidade e a inclusão de outros grupos considerados vulneráveis. A Arpel, aliás, produziu um white paper sobre o assunto.

Destacam-se, dentre as ações já em curso, a adesão aos WEP’s, a colaboração com o Projeto Untapped Reserves 2.0 com WPC/BCG, a organização de oficinas de conscientização e troca de conhecimento e a oferta de ferramentas e soluções para promover maior igualdade e inclusão de gênero nas empresas.

Para a mudança que esperamos, o esforço de cada um, agora, fará enorme diferença para o futuro que todos desejamos para nossa indústria​.

Izeusse Braga é economista e coordenador Arpel Brasil

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