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Certificação: um diferencial na carreira

Busca por reconhecimento de entidades sediadas no Brasil e no exterior é fundamental, avalia Wagner Victer

Um dos pontos sobre os quais tenho sido questionado em palestras para jovens profissionais e executivos iniciantes diz respeito a como uma carreira deve ser planejada, tendo em vista o fortalecimento profissional.

Diversas ações contribuem para esse processo, que não pode ser assumido como apenas seguir uma simples “receita de bolo”. Alguns optam, após a graduação, por capacitações suplementares do tipo lato sensu, como as tradicionais MBA’s, ou, para aqueles com perfil mais acadêmico e científico, uma formação stricto sensu (mestrado e doutorado).

Uma das ações formativas é a obtenção de certificação. Nas áreas financeira, de previdência complementar e de infraestrutura existem processos de certificação por instituições públicas, organizações e entidades privadas do Brasil – algumas delas estrangeiras. 

Na prática, a certificação se faz via declaração formal de comprovação do conhecimento ou domínio, emitida por entidade, instituição ou empresa que tenha fé pública ou credibilidade para tal, a partir de parâmetros estabelecidos como provas de conhecimento, títulos e horas aplicadas.

Na indústria brasileira de óleo e gás, os processos de certificação derivam do Sistema de Garantia de Qualidade da indústria nuclear, estabelecida na década de 1970. As tradicionais certificações de mão de obra vieram da área de qualidade da Petrobras, como o SEQUI, que instituiu um sistema de qualificação para inspetores de atividades de construção e montagem. O certificado se tornou referência no mercado nacional e um diferencial exigido na implementação de dutos, terminais, refinarias e até nas pioneiras plataformas fixas.

Na área de qualidade, os engenheiros buscavam se qualificar por qualificações como a ASQ (American a Society for Quality), a antiga ASQC (American Society of Quality Control), que, com seus altos padrões de exigências, foi um grande diferencial na carreira de muitos gestores.

A qualificação PMP (Project Manager Professional) – uma das mais populares do PMI (Project Manager Institute) – se tornou, nos últimos 20 anos, uma referência para orientar a formação de profissionais que atuam no gerenciamento de projetos no Brasil, inclusive fomentando a criação de diversos cursos de pós-graduação alinhados à sua metodologia, o PMBOK (Project Management Body of Knowledge).

No campo da administração pública e privada, com foco em governança, o rigoroso sistema Certificação de Conselheiros instituído pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) já se torna uma referência para escolha e alocação de conselheiros – em especial os independentes –, sendo reconhecido por head hunters

Nesse contexto, o reconhecimento de experiências e qualificações por certificações também se tornou exigência para ocupação de cargos de gestão na administração pública, conforme a nova Lei das Estatais (13.303 de 2016).

Portanto, a busca de certificações profissionais, através de entidades sediadas no Brasil e no exterior tem sido – e continuará sendo – um fator importante no desenvolvimento profissional e um diferencial de carreira, em especial na indústria de infraestrutura.  

Wagner Granja Victer é engenheiro (UFRJ) da Petrobras, bacharel em Administração (UERJ), pós-graduado em Finanças (FGV) e em Gerência de Projetos pela Harvard University.

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