Brasil tem potencial de ser fornecedor global de petróleo, aponta BNDES

Estudo mostra que desenvolvimento de novas tecnologias e investimentos na descarbonização do setor de O&G podem garantir vantagens competitivas ao país

Um estudo do BNDES publicado nesta segunda-feira (6) estima que a tríplice resiliência do petróleo brasileiro – técnica, econômica e ambiental – pode consolidar o país como importante fornecedor global do combustível. De acordo com o documento, o setor de O&G deve contribuir com R$ 3,96 trilhões ao PIB nacional até 2032.

A aposta é que a tecnologia de captura de carbono (carbon capture, utilization, and storage; CCUS, na sigla em inglês) e o hidrogênio, por exemplo, vão atuar como catalisadores na descarbonização a partir de meados de 2030. O Brasil já utiliza tecnologias de CCUS e, somente no ano passado, a Petrobras foi responsável por um quarto de todo o CO₂ capturado ao reinjetar 10,6 milhões de t de gás associado nos reservatórios do pré-sal.

“O setor pode contribuir para a redução de emissões na própria produção do petróleo, que remanescerá globalmente, desde que se estabeleça como o produtor mundial com a menor pegada de carbono e seja capaz de substituir a produção mais poluente que existe em outras regiões”, destacam os cinco autores do artigo.

No entanto, a regulamentação ainda trava alguns projetos voltados para a transição energética. Conforme publicado pelo PetróleoHojea Petrobras aguarda a criação de pelo menos dois marcos regulatórios para tocar projetos relacionados ao CCUS e ao hidrogênio verde.

Produção offshore e renda petrolífera

A IEA, citada no estudo, prevê que o Brasil terá destaque na produção de petróleo, respondendo por, pelo menos, 45% de toda a produção offshore mundial até 2030. A produção brasileira deve prover entre 5% (cenário que captura os efeitos de não se implementar mudanças nas políticas atualmente existentes) e 6% (cenário no qual se considera que todos os compromissos já anunciados pelos governos serão cumpridos integralmente) de todo o petróleo consumido no mundo.

A agência também estima que os EUA, países do Oriente Médio membros da Opep e a Guiana incrementem a produção de petróleo no mesmo período.

Outro ponto abordado pelo estudo é a importância da renda petrolífera, que pode ser usada para o financiamento, desenvolvimento e aplicação das soluções energéticas, tecnológicas e industriais que viabilizarão o alcance da meta de neutralidade de carbono.

“A Noruega utiliza a renda que ainda acumula com o petróleo para ser um dos países que mais investem na agenda de combate ao aquecimento global. Sua abordagem de ter privilegiado o desenvolvimento industrial e tecnológico de seu próprio setor de P&G, em vez de focar na exploração de suas reservas petrolíferas para a mera utilização e exportação do petróleo, serve de inspiração para o Brasil no atual momento de transição mundial”, completam os autores no artigo.

 

Matéria originalmente publicada em 6 de novembro de 2023

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