Atratividade do mercado de transmissão é um desafio, segundo CEO da TSEA

Remuneração pelas fórmulas COGE e não pelo IPCA é uma das formas de melhorar o ambiente local de negócios, aponta José Roberto Reynaldo

Os dois leilões de transmissão deste ano e mais o primeiro certame de 2024, previsto para março, devem movimentar investimentos de R$ 56 bilhões, inclusive entre os fabricantes de equipamentos. Para José Roberto Reynaldo, CEO da TSEA Energia, o desafio não é reservar capacidade fabril para atender as transmissoras e sim o quanto o mercado interno será atrativo em relação à exportação. 

“Algumas concessionárias deixaram de corrigir seus contratos pelo IPCA, que é extremamente punitivo para o fabricante, e aplicam as fórmulas COGE”, argumenta. Para ele, o IPCA não reflete exatamente a inflação dos principais insumos. Ao contrário dele, as fórmulas citadas, criadas pela fundação de mesmo nome, incluem percentuais de mão de obra e de matéria-prima na sua composição. 

Apesar da demanda interna aquecida, Reynaldo vê o movimento como pontual e avalia que é necessária uma sinalização de maior estabilidade para que os fabricantes instalados no Brasil façam ampliações de envergadura em suas plantas. 

“As fábricas estavam, de certa forma, subocupadas para atender o mercado doméstico até por movimento natural em buscar outros mercados e começar a exportar”, explica. Isso levou os produtores de transformadores, por exemplo, a estar com sua carteira majoritariamente voltada para a exportação. 

Para o executivo, a priorização do mercado externo trouxe referências e oportunidades diferentes de negócios. Entram ainda nessa equação o câmbio favorável para a exportação e a demanda de clientes dos Estados Unidos, onde os projetos acontecem com mais rapidez. 

O tempo de aquisição dos equipamentos é outra característica que deve pautar a negociação nos próximos dois anos. Segundo Reynaldo, os ciclos de negociação e fechamento de contratos no Brasil são longos o suficiente para que os fabricantes ocupem seus slots de produção com outros clientes. Para ele, uma solução seria a dinâmica que acontece no mercado dos Estados Unidos, onde quem quer prazo extremamente definido deve reservar e pagar por esse slot. 

“Precisamos entender que os recursos e capacidades são finitos e que estamos concorrendo com outros mercados. O ciclo doméstico está muito alongado, variando de 12 a 30 meses e muitos dos clientes estarão nessa fila”, detalha.

Um lado positivo da fase atual de aquecimento, segundo ele, é a volta do diálogo da indústria, para identificar a capacidade instalada de fato, principalmente dos equipamentos críticos. O CEO lembra ainda que têm canais abertos com transmissoras e com epecistas, uma forma de entender qual seria a demanda real. 

A mesma concorrência também deverá afetar o segmento de distribuição. No caso da TSEA, por exemplo, as exportações estão focadas para atender a demanda aquecida das distribuidoras dos Estados Unidos, em projetos que já miram a expansão, entre outros, da eletromobilidade. A mesma tendência atinge as subestações móveis e compactas, que tinham como foco o mercado brasileiro e agora devem ser oferecidas para outros países.

Ainda na distribuição, Reynaldo destaca o serviço de retrofit para reposição de equipamentos mais antigos. Vários projetos nessa área envolvem sistemas de proteção e controle de comunicação, o que sinaliza também para uma modernização tendo o smart grid no radar.

“É um mercado crescente porque o Brasil tem uma base instalada antiga, que foi ativada na década de 1970. Então, são ativos no final de sua vida útil”, completa. Embora não cite números, o executivo adianta que a TSEA estima um crescimento de dois dígitos em seu faturamento nos próximos dois anos.

 

Matéria originalmente publicada no Energia Hoje em 24 de novembro de 2023

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