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A Responsabilidade Social como Valor Empresarial e Profissional

Muitas organizações sequer conseguem estabelecer quais são suas políticas próprias de Responsabilidade Social, que podem levar a um diferencial de mercado

Cada vez mais, os princípios de Responsabilidade Social, tanto no campo empresarial como na própria postura dos profissionais, em especial os executivos da alta administração, estão sendo exigidos pelos stakeholders. Mais do que um aspecto voltado a imagem, a inclusão dessa postura deve virar um “Valor Empresarial” e estar claramente delineada na Missão da organização.

Como gestor, o cenário atual que observo é que muitas organizações sequer conseguem estabelecer quais são suas políticas próprias de Responsabilidade Social, com suas diversas linhas de foco como áreas e público alvo, e mesmo quando existem, são apenas um conjunto de ações dispersas, não interligadas ou planejadas. Em algumas organizações, as ações são meramente derivadas de medidas compensatórias, mitigadoras de impactos ambientais ou fruto de leis de incentivos fiscais que possam divulgar a marca da organização. A formação dos executivos, também, ainda é bastante deficiente para consolidar tais valores, fato que merece reflexão.

Tenho buscado não só nas organizações que tenho conduzido ou em Conselhos que participo, mas em especial para executivos e jovens profissionais, despertar para caminhos que possam iniciar, de maneira consistente, este processo de Consciência Social, que até se torna uma estratégia para obter um diferencial no mercado, pois pode credenciar pequenas organizações para se tornarem empresas prestadoras de serviços para grandes corporações, além de facilitar a obtenção de crédito.

Na indústria do Petróleo especialmente, fica claro que a geração de tecnologia local, geração de empregos, o respeito com o meio ambiente, a alocação de políticas afirmativas e a contribuição para o desenvolvimento da qualidade de mão de obra local ganham destaques.

Para organizações de maior porte que querem se aprofundar, existe o Programa Brasileiro de Certificação em Responsabilidade Social (PBCRS), coordenado pelo Inmetro, além de todo um conjunto de normas, como as da ABNT da Série NBR 16000, derivadas da norma internacional ISO 2600 e também, em âmbito Internacional, a norma SA8000 do Social Accountability Internacional (SAI). Além disso, a própria Agenda 2030 da ONU que define os 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) se torna um excelente guia para alinhar as Políticas de Responsabilidade Social.

Outras ações simples podem ter reflexos, e fazem parte das recomendações feitas pelo Sebrae para pequenas e médias empresas que se iniciam para o tema:

1 – Fazer uma Boa Gestão dos Resíduos: Buscar minimizar os impactos ao meio ambiente. É fundamental a verificação profunda da cadeia de descartes e aproveitamento, que não deve ser uma mera terceirização desse problema;

2 – Buscar Contratar Mão de Obra Local: Desenvolver o entorno da organização ou de um empreendimento é fundamental, pois traz menos impactos no transporte e no meio ambiente. Deve ser buscado através de qualificação da mão de obra local através de programas como Jovem Aprendiz, Estágios, Políticos, inclusive a inclusão de Pessoas com Deficiência, Centros de Treinamento e principalmente através da aproximação com as Unidades Públicas de Ensino do entorno;

3 – Divulgar as Ações de Responsabilidade Social: Não é uma mera ação de Marketing, mas uma ação que contagia outras organizações e profissionais fazerem o mesmo. Alguns bons exemplos na área de energia são feitos atualmente pela Cosan ao apoiar as “Corrida de Rua” e o histórico trabalho feito pela Shell na Cultura;

4 – Cumprir a Legislação Trabalhista: Parece óbvio, porém observar e cumprir a Legislação Trabalhista, complementando com benefícios como Plano de Saúde e Apoio a Educação, são ações que, se associadas a contratação de mão de obra local, trazem um grande sentido a Responsabilidade Social da organização;

5 – Priorizar e Desenvolver Fornecedores no Entorno: É uma ação simples, mas que traz um grande impacto positivo para a comunidade onde se insere a organização ou o empreendimento;

6 – Incentivar a Prática de Voluntariado por Colaboradores: Reconhecer e incentivar que colaboradores tenham a postura proativa, alinhada às práticas de Responsabilidade Social, tem um efeito cascata bastante positivo no próprio exercício desse valor no dia a dia da organização.

O fato é que, sem essa percepção, as organizações em médio e longo prazo terão sua própria sobrevivência afetada.

Quanto aos profissionais, certamente a carreira pretendida jamais será a mesma se não houver uma reflexão quanto ao alinhamento pessoal a esses valores.

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