A resiliência das associações de petróleo no contexto das transições de energia – O caso Arpel

Nossa indústria passa por uma longa fase de variados e complexos desafios para reposicionar-se frente às exigências de toda ordem

Nossa indústria passa por uma longa fase de variados e complexos desafios para reposicionar-se frente às exigências de toda ordem que nos motivam a repensar desde a razão de ser, objetivos empresariais, métodos de trabalho, sistemas de produção, até a forma pela qual motivaremos as novas gerações a desenvolver-se profissionalmente em nosso segmento. 

O advento da pandemia, ainda presente, só amplia a diversidade e complexidade dos desafios a enfrentar, tendo feito nosso setor enfrentar a “tempestade perfeita”, quando, há alguns meses, se cruzaram a redução drástica dos preços do petróleo com a brutal baixa do consumo de seus derivados em todo o mundo. Aprendemos rapidamente a nos adaptar, mas ainda sentimos os efeitos do alto preço que pagamos.

Na Arpel, associação que congrega empresas de petróleo & gás e fornecedoras de bens & serviços da América Latina & Caribe, os desafios são ainda mais complexos, tendo em vista a multiplicidade de visões, missões e objetivos que orientam suas ações. 

Este grupo bastante heterogêneo de empresas, que se diferenciam por um ou mais fatores como propriedade da empresa (estatal, pública ou privada), foco no negócio (operações, serviços, consultoria), dimensão do negócio (grande, médio, pequeno), nível de integração vertical (integrado, upstream, downstream) e âmbito geográfico (nacional, regional, internacional), tem a responsabilidade de definir as estratégias para​ monetizar, de forma sustentável, parte dos 330 bilhões de barris de​​​ reservas de petróleo e 8,1 trilhões m³​ ​​de gás ​existentes na região.​​​

Essa variedade de perfis se traduz em uma grande diversidade de necessidades e interesses, nas operações e negócios que impactam a percepção das empresas em relação às áreas em que Arpel gera valor, sempre com foco regional, através de assistências recíprocas e de acordos estratégicos de cooperação com outras instituições-chave do setor (WPC, WEC, IGU, IPIECA, IOGP, SLOM, API) considerando os diferentes segmentos em que atuam (upstream, downstream, gás e biocombustíveis).

Nesses mais de 56 anos de atividades na região, temos observado que o que leva as empresas a aderir e a permanecer afiliadas à Arpel também tem muito a ver com fatores exógenos (marcos regulatórios, dinâmica de mercado, oportunidades de negócios e desafios operacionais) e interesses estratégicos (posicionamento regional de negócios, integração energética, oportunidades e ameaças trazidas pelas transições energéticas).

Nossa associação tem sido capaz de adaptar-se aos novos tempos e aos novos desafios, buscando sempre trazer à discussão, de forma proativa e cooperativa, os temas estratégicos de maior interesse que afetam nossa indústria e sua reputação perante a sociedade. 

Assim é que hoje, nas linhas de trabalho que norteiam nossas ações, além das questões referentes à Eficiência Energética, Segurança de Processos, ESG e Compliance, destacam-se os processos relativos às Transições Energéticas e as estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, temas de crescente exigência pelas sociedades onde atuamos.

Seguir avaliando as tendências ​da indústria, especialmente as que se traduzam em​ inovações disruptivas, será fundamental para que as empresas sócias da Arpel sigam rentáveis e adotem sistemas mais flexíveis de produção de energia, com menor geração de GEE, atendendo às necessidades das economias comprometidas com os preceitos da sustentabilidade.

Izeusse Braga é economista e coordenador Arpel Brasil  

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